respeitar a soberania e a vontade do povo venezuelano 1 20180527 1139991019

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) saúda o povo venezuelano pela importante demonstração de soberania e patriotismo dada no passado domingo, 20 de Maio, nas eleições presidenciais onde votaram cerca de metade dos cidadãos eleitores (48%), tendo Nicolás Maduro obtido 68% dos votos expressos.

Perante a conspiração e as ameaças externas e internas, o povo venezuelano mostrou a sua determinação em prosseguir, soberana e democraticamente, o caminho que livremente escolheu: da paz, do progresso social, da cooperação com todos os povos, nomeadamente os da América Latina.

Os resultados eleitorais representaram uma digna resposta do povo venezuelano às inaceitáveis pressões e apelo ao boicote por parte dos EUA e de sectores da oposição – incluindo a violenta campanha mediática que procurou colocar em causa a eleição –, derrotando assim a tentativa de impedir, perturbar e deslegitimar o escrutínio.

O CPPC considera inaceitável que, imediatamente após ser conhecido o resultado eleitoral, a Administração dos EUA tenha anunciado novas e ilegais sanções contra a Venezuela, nomeadamente contra a empresa petrolífera estatal PDVSA.

O CPPC não pode deixar de sublinhar a incorrecção da posição assumida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros português, nomeadamente ao “lamentar” a forma como as eleições decorreram, não referindo, por exemplo: as inaceitáveis interferências, ameaças e boicote promovidos pelos EUA; que a oposição exigiu a realização de eleições presidenciais logo em 2016, adoptando agora, no momento em que estas se realizam, uma postura de não participação, antecipando a sua derrota; ou que parte da oposição negociou e acordou com o Governo bolivariano estas eleições e o quadro em que estas se realizariam, incluindo o momento da sua realização, não tendo cumprido com o que acordou em resultado das pressões dos EUA.

As declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros português são tão mais inadequadas quando esquece que em Portugal já houve pelo menos oito eleições com uma abstenção superior a 50% – das quais três foram presidenciais – sem que estas tenham deslegitimado ou colocado em causa a sua realização e os seus resultados.

O CPPC considera que a melhor forma de não prejudicar a comunidade portuguesa na Venezuela é não alinhar Portugal com a política de bloqueio económico e financeiro – incluindo a instigação artificial e induzida da inflação – promovida pelos EUA e seus aliados com o objectivo de atingir e degradar o mais possível as condições de vida do povo venezuelano e, consequentemente, da esmagadora maioria da comunidade portuguesa residente neste país.

O Governo português deve respeitar a vontade soberana do povo venezuelano e estabelecer com a República Bolivariana da Venezuela laços de amizade e cooperação, no respeito da Constituição da República Portuguesa e dos princípios da Carta das nações Unidas.

O CPPC saúda Nicolas Maduro e as forças bolivarianas por mais esta importante vitória eleitoral, que confirma o apoio ao processo democrático e progressista, iniciado em 1998, sob a liderança do Presidente Hugo Chávez.

O CPPC reafirma que a vontade soberana do povo venezuelano deve ser respeitada, para que, sem ingerências externas, este possa prosseguir livremente o seu caminho de progresso e desenvolvimento social – o que implica, desde logo, o fim do bloqueio e sanções promovidas pelos EUA e a UE contra a Venezuela e o seu povo.

A Direcção Nacional do CPPC
24 de Maio de 2018