O Conselho Português para a Paz e Cooperação manifesta a sua preocupação pelo aumento da tensão na península coreana, alertando para o perigo de uma escalada militar nesta região, apelando à paz e à resolução pacífica de um conflito que há décadas impede a reunificação do povo coreano, contrariando a expressa vontade e o processo negocial das duas partes directamente interessadas.

A reunificação pacífica da península coreana coloca como exigência a existência de garantias de não-agressão, a desnuclearização e o fim das bases e forças militares estrangeiras na Península da Coreia, designadamente dos Estados Unidos da América, que mantêm um contingente de aproximadamente 30 mil militares na República da Coreia (Sul).

Reafirmando a sua exigência do desmantelamento geral, simultâneo e controlado de todos os arsenais nucleares actualmente existentes, o CPPC denuncia a profunda hipocrisia daqueles que, possuindo dos maiores arsenais de armas nucleares, que promovem a sua modernização e instalação fora do seu território e reafirmam na sua doutrina militar a possibilidade de utilização de armamento nuclear num primeiro ataque, como acontece com os EUA, critiquem simultaneamente um outro Estado por as possuir.

O CPPC rejeita visões unilaterais de um conflito que não é entre dois países mas sim entre duas partes de um mesmo país, dividido no início dos anos 50 do século XX, e que permanece desde então dividido por força de intromissão estrangeira. Na República da Coreia permanecem, desde finais da Segunda Guerra Mundial, milhares de soldados dos EUA, país que nunca deixou de ameaçar a República Popular Democrática da Coreia, como sucedeu aquando da inclusão, por George W. Bush, desse país no famigerado «Eixo do Mal», ou dos sucessivos exercícios militares conjuntos que os EUA têm realizado com a Coreia do Sul, muitos dos quais simulando ataques à Coreia do Norte.

O aumento da tensão na região é indissociável do aumento e intensificação da presença militar norte-americana no Pacífico Sul, nomeadamente pela deslocação para a região de poderosos meios militares navais, estratégia recentemente reafirmada pela administração norte-americana que representa um sério perigo para a estabilidade e a paz na região, no Pacífico sul e Mar da China, e que é inseparável do cerco geo-estratégico que os EUA perseguem visando a República Popular da China.

Cabe aos povos da Coreia o direito e a responsabilidade de resolverem pacificamente o conflito. A actuação da «comunidade internacional» e da ONU deve, à luz do direito internacional, garantir esse direito e contribuir para que o povo coreano possa reunificar pacificamente o seu país, de tradições e cultura milenar.
O CPPC apela à resolução pacífica do conflito, ao fim da ingerência, das pressões e da desestabilização externas, ao respeito do direito do povo coreano a determinar o seu próprio destino em condições de paz assim como o caminho da reunificação pacífica da nação coreana, justa aspiração do seu povo.