
O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) condena com veemência as sucessivas violações do cessar-fogo na Faixa de Gaza perpetradas por Israel, que continua a bombardear, a matar e a ferir o povo palestiniano e a impedir a entrada da ajuda humanitária, que continua manifestamente insuficiente face às necessidades, num território totalmente devastado pela guerra genocida de Israel, com as infra-estruturas básicas totalmente destruídas e submetido a um Inverno particularmente severo.
Desde o início do cessar-fogo, em Outubro, as forças ocupantes israelitas mataram mais de 520 palestinianos e feriram perto de 1500, que elevam o saldo da política genocída de Israel para 71800 palestinianos assassinados e 171555 feridos, desde Outubro de 2023.
Israel não mata só com bombas. Há cerca de 20 mil pessoas doentes na Faixa de Gaza a aguardar autorização para sair do território e receber tratamento médico adequado. As autoridades de saúde da Faixa de Gaza denunciam a morte de pelo menos 1268 pacientes enquanto aguardavam autorização para sair do território. A anunciada abertura da passagem fronteiriça de Rafah, com pompa e circunstância, é na realidade muito limitada e controlada por Israel.
O CPPC denuncia o silêncio cúmplice de governos, nomeadamente do português, e das grande cadeias mediáticas, que utilizam o cessar-fogo para fazer “esquecer” o drama que continua a viver a população palestiniana na Faixa de Gaza e, uma vez mais, branquear a política criminosa de Israel nos territórios palestinianos ilegalmente ocupados, na Faixa de Gaza, como em Cisjordânia e Jerusalém Oriental, onde prossegue a ocupação, as agressões e a expulsão de populações palestinianas, a destruição de culturas agrícolas, a construção de colonatos ilegais.
Quando o ministro de extrema-direita, Bezalel Smotrich, afirma que “vamos continuar a matar o Estado palestiniano”, não se ouve uma frase que seja do Governo português. Pelo contrário, este continua complacente perante os crimes de Israel, como fica demonstrado pelo encontro entre o Ministro da Educação e o Embaixador de Israel, no contexto da participação deste governante português numa iniciativa promovida por Israel em Jerusalém sobre Inteligência Artificial, que Israel tem utilizado no genocídio em curso na Faixa de Gaza. Este é o mesmo Governo que nada disse quando uma delegação internacional de professores, que integrava uma representante portuguesa, da FENPROF, foi impedida de entrar na Cisjordânia pelas forças ocupantes israelitas.
Este é tempo de manter firme a solidariedade com o povo palestiniano, que luta pelos seus legítimos direitos nacionais, consagrados em sucessivas resoluções das Nações Unidas, isto, pela concretização do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a junho de 1967, com capital em Jerusalém Oriental, e o reconhecimento do direito de regresso dos refugiados palestinianos.
Legítimo e inaliável direito que só será possível de concretizar com o fim da ocupação e dos seus violentos instrumentos. É isto, e não uma qualquer tutela estrangeira de recorte neocolonial, que será capaz de contribuir para uma paz justa no Médio Oriente.
A Direção Nacional do CPPC
10-02-2026