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O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) alerta para as dramáticas condições que continuam a marcar a vida dos palestinianos na Faixa de Gaza e para o aumento da repressão e a ampliação dos colonatos na Cisjordânia. Por mais que se tenha eclipsado dos noticiários e dos jornais, a política genocida e de ocupação por parte de Israel continua, com o apoio dos EUA, do Reino Unido e da União Europeia.

Desde Outubro, quando entrou em vigor o cessar-fogo na Faixa de Gaza – que está a ser sistematicamente violado por Israel –, foram mortos mais de 400 palestinianos e feridos mais de 1100, por ataques das forças militares israelitas.

Israel continua a não cumprir com a entrada da ajuda humanitária com que se comprometeu no acordo de cessar-fogo: em vez dos 600 camiões diários previstos, têm entrado em média 244 camiões com ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Faltam alimentos, medicamentos, equipamentos médicos, combustíveis, abrigos e outros bens de primeira necessidade à população palestiniana neste território.

Sem alimentação suficiente, sem prestação de cuidados médicos adequados, sem os abrigos e a proteção necessária para enfrentar as intempéries e o frio, depois de dois anos de brutal destruição e com a continuação do bloqueio imposto por Israel à entrada da necessária ajuda humanitária, as condições de vida da população palestiniana são indescritíveis, tendo idosos e bebés palestinianos chegado a morrer de frio no último mês.

Alcançado pela determinação da resistência palestiniana e a coragem do seu povo, bem como pela amplitude do movimento de solidariedade internacional, o cessar-fogo constitui uma conquista. No entanto, é necessário que o cessar-fogo seja cumprido; que seja assegurada sem entraves a ajuda humanitária urgente e necessária; que as tropas israelitas retirem totalmente da Faixa de Gaza e que cessem os seus ataques; que se reconstruam as infra-estruturas neste território da Palestina; que sejam respeitados os direitos e a soberania do povo palestiniano.

Porém, não é isso que o denominado “plano de Trump” preconiza, pelo que a solidariedade com a luta do povo palestiniano tem de continuar.

Ao mesmo tempo que continua a sua política genocida na Faixa de Gaza, Israel intensifica a repressão e a ocupação da Cisjordânia, com a aprovação da construção de novos colonatos – ilegais, os novos, como todos os que foram anteriormente construídos, à luz do direito internacional. Colonatos que visam inviabilizar a criação do Estado palestiniano (são já mais de 700 mil os colonos israelitas a viver ilegalmente no território palestiniano da Cisjordânia).

O reconhecimento, por Portugal, do Estado da Palestina não pode ser apenas uma questão retórica. Tem de ser acompanhado pela exigência firme de medidas que concretizem esse reconhecimento e garantam cabalmente aos palestinianos a concretização do direito ao seu Estado. Medidas e iniciativas que contribuam efectivamente para pôr fim à política genocida, de ocupação e de colonização, incluindo de construção de novos colonatos, por parte de Israel. Medidas e iniciativas que contribuam efectivamente para a libertação de todos os presos políticos palestinianos das prisões israelitas, para pôr fim ao cerco da Faixa de Gaza, para o desmantelar o muro de separação, os colonatos e os postos de controlo militar israelitas na Cisjordânia, em Jerusalém Leste e na Faixa de Gaza. Medidas e iniciativas que contribuam efectivamente para estabelecer o Estado da Palestina, livre, soberano e independente, com as fronteiras anteriores a junho de 1967 e capital em Jerusalém Oriental, e cumprir o direito de retorno dos refugiados palestinianos, como determinam as resoluções da ONU.

Da parte do CPPC, cá estaremos para continuar a trilhar o caminho da paz e da solidariedade com o povo palestiniano e com todos os povos do mundo que se batem pela paz, a sua soberania e os seus direitos.

A Direção Nacional do CPPC
31-12-2025