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O Conselho Português para a Paz e Cooperação realizou hoje, dia 5 de Julho, data da comemoração dos 206 anos da indepedência da Venezuela, uma iniciativa de solidariedade com o povo da Venezuela.

A iniciativa contou com forte e empenhada presença de cidadãos e organizações solidários, e com a participação da presidente da Direcção Nacional do CPPC, Ilda Figueiredo e do Sr. Embaixador da República Bolivariana da Venezuela, General em Chefe Lúcas Ríncon Romero, assim como da Sra. Embaixadora de Cuba, Johana Tablada.

Nas intervenções foi expressa a solidariedade do CPPC e de todos os presentes com a Revolução Bolivariana e o povo venezuelano e denunciada a acção de ingerência e desestabilização de que faz parte uma intensa guerra mediática de desinformação, contra a Venezuela e que procura paralisar a acção do seu legítimo governo, confrontar a Constituição Venezuelana e atacar o processo bolivariano e as suas realizações.

Leia o discurso de Ilda Figueiredo:

Solidariedade com a Venezuela
Intervenção de Ilda Figueiredo
Lisboa, 5 de Julho de 2017
Senhor Embaixador da Venezuela em Portugal
Estimados Amigos

Em nome do Conselho Português para a Paz e Cooperação, uma saudação muito especial à República Bolivariana da Venezuela, ao governo de Nicolás Maduro, aqui representado pelo Senhor Embaixador em Portugal, General en Chefe Lucas Enrique Ricón Romero, e a todos os venezuelanos neste dia comemorativo da Independência da Venezuela.

Saúdo também todos quantos se quiseram associar a este momento de solidariedade às forças progressistas e ao povo venezuelano nesta fase difícil em que a Venezuela está a ser alvo de uma acção de ingerência e desestabilização que visa paralisar a actividade do seu legítimo governo, confrontar a Constituição venezuelana e atacar o processo bolivariano e as suas realizações.
Os últimos acontecimentos, designadamente os ataques armados, de carácter terrorista, usando um helicóptero roubado de uma base militar, no passado dia 27 de Junho, contra as sedes de um Ministério e do Supremo Tribunal de Justiça, em Caracas, são parte de uma escalada golpista, que se está a intensificar, contra a Constituição da República Bolivariana da Venezuela, sempre acompanhada de uma agressiva campanha ideológica, como assistimos em Portugal, a lembrar outros momentos graves de situações perigosas, como o Chile democrático de Salvador Allende e o golpe fascista que se lhe seguiu, ou, mais recentemente, as Honduras, o Paraguai e o Brasil.
Por isso, estamos aqui para saudar a disposição do governo venezuelano em deter as tentativas destas forças violentas e agressivas de fazer eclodir uma guerra civil no país, contra a ingerência e o golpe na Venezuela.

Como afirmamos no documento que serviu de base à mobilização para esta iniciativa de solidariedade:

“Não são os interesses do povo venezuelano que estão por detrás do boicote económico, açambarcamento e especulação. Não são os valores democráticos que estão por detrás dos actos de violência com que grupos reaccionários e de extrema direita tentam lançar o caos naquele País. Não é a verdade que se defende quando se apresenta como opressor um governo democraticamente eleito que tenta manter a ordem e assume a defesa da lei e da Constituição. Não são os interesses da Venezuela e os valores da paz que estão por detrás das acções de uma “oposição” que instiga à agressão externa contra a Venezuela.

O que está verdadeiramente em causa na Venezuela é uma tentativa de golpe de Estado contra um país soberano, contra a sua Constituição e o seu legítimo governo. Um golpe antidemocrático, atentatório da soberania e independência da Venezuela bolivariana, direccionado contra todos aqueles que continuam empenhados em construir um futuro de progresso social, de afirmação soberana e de cooperação entre os Estados da América Latina visando o interesse dos trabalhadores e povos daquela região.

O verdadeiro objectivo que preside às manobras de ingerência e desestabilização contra a Venezuela e às campanhas de mentira e manipulação que as acompanham, é o da tentativa de recuperação do domínio dos EUA, o qual foi posto em causa com os processos progressistas na América Latina”.
Por isso, o Conselho Português para a Paz e Cooperação e as organizações progressistas e movimentos sociais portugueses aqui representados, juntamos a nossa voz a todas as forças que defendem a soberania das nações em resistência contra a política de ingerência, ameaça e agressões em que se baseia a política externa dos EUA e de seus aliados.

Temos tomado posição solidária, em diversas ocasiões, ao longo destes 17 anos de revolução bolivariana, e acompanhado de perto as profundas transformações democráticas, nos diversos planos económico, social e cultural, que restituíram a dignidade a dezenas de milhões de venezuelanos, e o importante contributo do povo venezuelano, com os presidentes Chavez e Maduro, para a emancipação libertadora dos povos da América Latina.

Mas conhecemos, da história recente da América Latina, a política de ingerência permanente e de militarização crescente na região, que os EUA continuam a praticar, seja com ameaças e o bloqueio económico a Cuba, seja de apoio às forças mais reacionárias da direita fascista e antipatriótica em diversos países, as quais, como na Venezuela, não olham a meios para tomar o poder, ainda que as suas ações custem as vidas de compatriotas, a desestabilização e a entrega de seus países ao domínio estrangeiro.

A promoção dos golpes de Estado, seja à força ou fantasiados de processos jurídicos, é uma táctica do imperialismo norte-americano para voltar a controlar a região, insatisfeito com o processo de construção da independência em diversos países, um processo em que a República Bolivariana da Venezuela tem desempenhado um papel central. Por isso, dada a forte resistência do povo venezuelano contra estas manobras, as forças reacionárias voltam a usar o recurso da guerra económica e mediática, as tentativas de golpe de estado e da violência.

Estamos aqui, ao lado do povo venezuelano, dos seus direitos e da verdade, o que significa estar do lado dos que, depois das Honduras, do Paraguai e do Brasil, resistem a mais uma tentativa de golpe de estado no continente latino-americano.

Estamos aqui a prestar solidariedade ao povo da Venezuela, defendendo a sua soberania, rejeitando a criminosa guerra económica, mediática, política e diplomática movida contra um país que tantos emigrantes portugueses acolheu.

Apoiamos a determinação do povo venezuelano de seguir governando o seu destino, com a mais recente iniciativa do governo do presidente Nicolás Maduro de convocar para 30 de Julho um processo popular constituinte, forma de democracia participativa que têm o direito de organizar, chamando o povo venezuelano a exercer o seu direito de voto para eleger os membros da Assembleia Nacional Constituinte.

Reafirmamos a nossa solidariedade contra as tentativas de golpe de estado, defendendo a segurança e a tranquilidade do povo venezuelano, e o seu direito à defesa da sua independência na busca por um processo pacífico e soberano que construa a saída para a crise no país.

Viva o Dia da Independência da Venezuela!

O povo da Venezuela vencerá!