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Ao completar-se um ano do golpe de estado na Ucrânia crescem as preocupações com a evolução da situação na região, fruto da intervenção das forças fascizantes que se apoderaram do poder, das ingerências estrangeiras e do apoio das potências ocidentais ao poder dominante na Ucrânia.

Foi no dia 22 de Fevereiro de 2014 que foi destituído o Presidente eleito Viktor Ianukovitch, na sequência de um golpe anti democrático, preparado e comandado do exterior, que teve início em Novembro de 2013 quando, num processo de negociação com a União Europeia, esta exigiu à Ucrânia a realização de profundas e incomportáveis reformas económicas e financeiras para que o país tivesse acesso aos mercados europeus. Face a essa ingerência, como alternativa, o governo ucraniano decidiu reatar as relações económicas com a Rússia, o que se traduziu na assinatura, a 17 de Dezembro desse ano, de um pacote de assistência financeira, no valor de 15 mil milhões de dólares, assim como a significativa baixa do preço do gás importado.

A 24 de Novembro de 2013, grupos paramilitares constituídos por militantes dos partidos de extrema-direita – Svoboda e Pravy Sektor – bem armados e ostentando símbolos e métodos tipicamente fascistas, barricaram-se na Praça da Independência (Maidan) e, a partir daí, ocuparam diversos edifícios públicos, ministérios e a Câmara Municipal de Kiev, onde se mantiveram até 15 de Fevereiro de 2014.

Entretanto, sucederam-se as pressões e ingerências dos EUA e da União Europeia, incluindo com deslocações de responsáveis governamentais para apoiar as reivindicações dos partidos de extrema-direita. No dia 21, vésperas do golpe, uma delegação de alto nível da União Europeia desloca-se a Kiev com o pretexto de encontrar uma saída para a crise. No dia seguinte, o Parlamento destituiu o Presidente da República. Estava consumado o golpe. A extrema-direita tomou o poder na Ucrânia, o que foi reforçado com a constituição posterior de um governo que inclui elementos de extrema-direita e mesmo auto-intitulados neo-nazis.

A continuação de uma vaga de atentados às sedes dos sindicatos e de partidos e forças democráticas e anti-fascistas, a perseguição e assassinato de democratas e patriotas ou a promoção da xenofobia, das divisões étnicas e repressão pelo novo poder saído do golpe, impeliu os povos das regiões do Leste e Sul da Ucrânia - Crimeia, Donbass (Lugansk,Donetsk, Mariupol) a encontrarem formas de resistência civil e militar, a que o governo instalado em Kiev respondeu com uma violenta repressão militar contra as populações destas regiões, a qual se traduz em milhares de mortos, destruição de infraestruturas e bens, dezenas de milhares de refugiados.

Os acordos de cessar-fogo obtidos pelo designado Quarteto da Normandia (Rússia, Alemanha, Ucrânia, França) e pela Organização para a Cooperação e Segurança na Europa – OSCE- em Setembro de 2014 e 11 de Fevereiro de 2015, têm sido sucessivamente violados pelo exército ucraniano ou pelos mercenários para militares, como o Batalhão Azov, que contam com o apoio das forças da NATO.

Um ano após o golpe de 22 de Fevereiro de 2014, o Conselho Português para a Paz e Cooperação reafirma, uma vez mais, que só uma solução política que respeite as regras democráticas, as liberdades e o direito dos povos a decidirem autonomamente o seu futuro, pode garantir a paz na Ucrânia, na Região e na Europa e exige do Governo Português uma posição consentânea com os princípios da Constituição da República Portuguesa.