
Face ao anúncio de um cessar-fogo de duas semanas na sequência da agressão militar dos EUA e de Israel ao Irão, iniciada a 28 de Fevereiro, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) exige o fim imediato e permanente da agressão norte-americana e israelita contra o Irão e o Líbano.
O CPPC sublinha que a trégua agora alcançada deve ser respeitada e cumprida, incluindo no Líbano, como afirmado pelo mediador relativamente ao acordo alcançado.
O CPPC condena veementemente a bárbara agressão ao Líbano e o massacre perpetrado por Israel contra o povo libanês, já após a entrada em vigor do acordo de cessar-fogo – que assassinaram em poucos minutos mais de 250 pessoas em Beirute, que se somaram às mais de 1500 assassinadas nos dias anteriores –, afrontando e procurando boicotar abertamente os termos do acordo de cessar-fogo, aliás como as autoridades de Israel sempre têm feito, seja no Líbano, seja na Palestina.
O CPPC realça que, ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, as guerras, as ingerências e as pretensões territoriais de Israel no Líbano precedem a legítima resistência libanesa, que é consequência – e não causa – da permanente agressão israelita contra este país.
O que se impõe é o estabelecimento de uma paz justa e duradoura no Médio Oriente, que exige o fim do genocídio do povo palestiniano e da ocupação da Faixa de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Leste por Israel e a concretização do Estado da Palestina, como determinam as resoluções da ONU; o fim da agressão e da ocupação de territórios de países da região por parte de Israel, como o Líbano ou a Síria; ou o fim da agressão dos EUA e de Israel ao Irão, incluindo o levantamento das sanções impostas desde há décadas contra este país; entre outros importantes aspectos.
Por mais que não se tenha concretizado, o CPPC não aceita que se desvalorize a gravidade da ameaça proferida pelo Presidente dos EUA de matar toda uma civilização e de lançar o Irão na “idade da pedra”. Tais afirmações de índole genocida não podem passar em claro e merecem a mais clara condenação, contribuindo para a denúncia dos reais propósitos belicistas e criminosos dos EUA, de Israel e dos seus vassalos, e para o seu isolamento no plano internacional.
Quando se comemora o 50º aniversário da Constituição de Abril, o CPPC reafirma a validade dos princípios consagrados no seu artigo 7.º, que todos os governos portugueses – incluindo o atual – estão obrigados a respeitar, o que está longe de ser realidade.
Perante a brutal agressão militar dos EUA e de Israel ao Irão, o Governo português assumiu uma postura seguidista com esta ilegal agressão, inclusivamente permitindo a utilização da Base das Lajes para esse fim e, assim, tornando Portugal num cúmplice ativo dessa agressão e violação flagrante dos princípios da Carta da ONU e do direito internacional.
Valorizando a resistência do povo iraniano, que forçou os EUA a parar os ataques sem que nenhum dos seus objetivos – ilegítimos e ilegais – tenha sido alcançado, o CPPC compromete-se, neste tempo complexo e perigoso, a prosseguir com o esclarecimento e a mobilização em prol da paz, do desarmamento e da solidariedade, continuando a procurar envolver mais pessoas e organizações defensoras da paz, do direito internacional e da Constituição da República, alargando e reforçando o movimento da paz no nosso país.
A DN do CPPC
10/04/2026