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Sim à Paz! Não à NATO!

Sim à Paz! Não à NATO!- Iniciativas por todo o País A campanha «Sim à Paz! N&at...

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Divulgamos abaixo assinado promovido pelo Conselho da Paz dos EUA, organização membro do Conselho Mundial da Paz, sobre a situação na Ucrânia.

"Hoje a tarefa (dos militares) é alargar as “zonas de paz democrática;” para deter a ascensão ou uma nova potência concorrente... Os Balcãs e o Sudeste Europeu, de um modo geral, representam o maior obstáculo para a criação de uma Europa “única e livre”, desde o Báltico ao Mar Negro. A demora em trazer segurança e estabilidade ao Sudeste Europeu tem... impedido a consolidação da vitória da Guerra Fria ... Isto é especialmente importante tendo em vista as movimentações europeias emergentes para uma “identidade” e política de  defesa independentes; é importante que a NATO não seja substituída pela União Europeia, deixando os Estados Unidos sem uma voz nas questões de segurança Europeia ..."  “Rebuilding America’s Defenses,” A Report Of The Project for the New American Century. Setembro 2000

De facto, o que assistimos hoje na Ucrânia não é senão uma tentativa clara dos Estados Unidos e seus aliados para "consolidar" a sua "vitória na Guerra Fria", criando uma Europa "única e livre" para um domínio sem limites do capital global .
O processo que começou há um ano, com um golpe de Estado claro e violento apoiado pelos Estados Unidos em aliança com os neonazis contra o presidente eleito da Ucrânia, está agora a ser escalado para uma declaração de guerra indirecta contra a Rússia. Uma vez mais uma campanha de propaganda maciça, que lembra o período da Guerra Fria, está a ser travada pelos EUA e governos europeus sobre a "agressão russa", "o expansionismo russo" e "a ameaça russa contra a segurança do Ocidente", enquanto diaboliza Vladimir Putin como um “ditador” perigoso, sedento de poder que "não respeita o direito internacional" e a "soberania" e "independência" doutros países. E ao fazer isso, mobilizaram todos os grandes grupos da Comunicação Social dos Estados Unidos e da Europa.

Claro que nada disto é novo. Já vimos no passado campanhas de propaganda semelhantes para demonizar outros países e os seus dirigentes - Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, e ainda em curso, Irão e Venezuela, para citar alguns - para pacificar a opinião pública face as guerras de agressão iminentes. Mas desta vez, a propaganda anti-russa aposta na fraqueza histórica nas mentes do público americano: o medo histórico da Guerra Fria, do comunismo e da União Soviética. Destina-se a fazer-nos esquecer que a Rússia não é a União Soviética, e que ela já não é um "inimigo do Ocidente", mas apenas uma “potência competidora”. Os belicistas imperialistas querem que nós esqueçamos isto, para justificar a expansão da NATO até às fronteiras da Rússia, a colocação de mísseis da NATO no solo da Ucrânia (imagine-se mísseis russos colocados ao longo da fronteira Estados Unidos-México) e preparar o palco para a "consolidação final da vitória na Guerra Fria", ou seja, a desintegração da Federação da Rússia como um grande "rival" e um desafio à "posição de domínio total" dos Estados Unidos no mundo, conforme estipulado pelo documento do Projecto para o Novo Século Americano. E, infelizmente, parece que esta propaganda ao estilo da Guerra Fria tem sido eficaz, porque tem silenciado a maior parte do movimento da paz dos Estados Unidos, e o tem impedido, pelo menos até agora, de tomar medidas eficazes contra esta escalada militar passo-a-passo contra a Rússia.

Está agora em marcha um esforço orquestrado para enviar armas para a Ucrânia, sem qualquer resistência activa do movimento antinuclear e da paz dos EUA. O Presidente Obama e o Secretário de Estado John Kerry anunciaram que ponderam o envio de armas "letais" para a Ucrânia. O secretário de Defesa Chuck Hagel anunciou o seu apoio ao envio das chamadas "armas defensivas" para a Ucrânia. O comandante militar da NATO, o general Breedlove, manifestou o seu apoio ao envio de armas. O pior, de acordo com a Reuters (02 de Fevereiro de 2015), é que o Congresso dos EUA planeia "criar legislação exigindo que os Estados Unidos enviem armas para a Ucrânia se o Presidente Barak Obama não se mexer para enviar armas." Reuters também informou que o senador McCain "encabeçou cerca de uma dúzia de senadores Republicanos e Democratas numa nova conferência para pressionar Obama para enviar armas para ajudar Kiev .... "Num recente relatório conjunto entregue ao presidente Obama, da Brookings Institution, o Conselho do Atlântico, e o Conselho de Chicago sobre Assuntos Globais informou a Casa Branca e a NATO sobre a melhor forma de escalar a guerra na Ucrânia. (Mike Whitney, CounterPunch, edição de 06-08 Fevereiro ) Sem surpresas, a Comunicação Social do establishment como o Washington Post e USA Today, entraram na refrega  editorializando que "dar armas letais à Ucrânia é a única solução para este conflito". Além disso, de acordo com a Reuters, um grupo de "oito ex-altos funcionários norte-americanos estão a preparar um relatório conjunto em que" exortam os Estados Unidos a enviar três mil milhões de dólares em armas e equipamentos defensivos para a Ucrânia, incluindo mísseis anti-blindados, aviões de reconhecimento, Humvees blindados e, radares que podem determinar a localização dos mísseis e fogo de artilharia inimigos ". As armas “letais” em causa são todas armas sofisticadas que os ucranianos não estão treinados para usar e vai exigir militares dos EUA para as operar - uma situação que inevitavelmente levará os militares dos Estados Unidos a estar directamente envolvidos na guerra.

Mas os objectivos militares estratégicos não são a única razão para os Estados Unidos chegarem a tais extremos. Como Mike Whitney disse correctamente, os EUA "querem controlar os corredores dos oleodutos da Rússia para a Europa para acompanhar as receitas de Moscovo e para garantir que o gás continue a ser expresso em dólares. E querem uma Rússia mais fraca, instável, que fique mais inclinada para uma mudança de regime, a fragmentação e, finalmente, controle estrangeiro. Estes objectivos não podem ser alcançados de forma pacífica.... "(op. cit.) De facto, desde a descoberta de novas reservas de petróleo e gás nos Estados Unidos, a questão do desmame da União Europeia  do petróleo e gás russos e a transformação da Europa num mercado de exportação para as reservas norte-americanas recém-descobertas foi colocada no topo da agenda imperialista  da Administração norte-americana e das companhias de petróleo. Instigar um conflito na Ucrânia, criando uma brecha entre a União Europeia e a Rússia, e impondo sanções económicas sobre a Rússia, serve precisamente este objectivo. E os principais governos da UE estão mais que dispostos a concordar com este plano. No entanto, enquanto os neoconservadores norte-americanos apressam-se a criar um confronto militar, os governos europeus, depois d a experiência desastrosa de duas guerras mundiais no seu território, são mais renitentes em seguir o caminho militar. Eles preferem atingir os mesmos objectivos imperialistas através de sanções económicas e pressões diplomáticas. Os dirigentes europeus querem a ameaça de guerra, mas não a própria guerra. Como o presidente da França advertiu recentemente os russos: "Se não conseguirmos encontrar ... um acordo de paz duradouro, sabemos perfeitamente qual será o cenário. Ele tem um nome, chama-se a guerra. "(Reuters, 7 de Fevereiro de 2015) Por outras palavras, os objectivos imperialistas são os mesmos, os métodos é que são diferentes.

E ninguém deveria ficar surpreendido com isto, dado o passado imperialista semelhante dos EUA, UE e  NATO no Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Irão, etc. O que é surpreendente, porém, é a resposta passiva do movimento  da paz e antinuclear nos Estados Unidos. Por que não organizamos protestos? Por que não mobilizamos as massas? Por que não marchamos nas ruas, sobre a Casa Branca, o Congresso? Será porque ainda não vemos a gravidade do perigo iminente, o que é altamente improvável? Ou será que ainda estamos sob o efeito da propaganda da Guerra Fria?

Em qualquer caso, é preciso agir rapidamente, antes que seja demasiado tarde. Com a Rússia e os Estados Unidos possuindo milhares de mísseis, bombardeiros e submarinos equipados com bombas nucleares em alerta máximo, uma escalada poderia ficar fora do controle de qualquer um. Desta vez, os riscos são extremamente altos.

Apelamos a todas as pessoas amantes da paz dos Estados Unidos para unir forças e exigir:

1. O não envio de armas para a Ucrânia

2. A retirada das tropas da NATO, dos EUA, mísseis e bases dos EUA e bases de todos os Estados que fazem fronteira com a Rússia

3. A garantia de que a Ucrânia se torne imediatamente um país neutro.

4. Acordar que a Ucrânia não participe em nenhuns exercícios militares estrangeiros e blocos militares estrangeiros.


U.S. Peace Council — Fevereiro 2015"